kvtfeminino

Sogra e nora

 

Entrevista com Ramy Arany:

1- Qual a origem do mito que as sogras e noras não se dão bem?

R – Não sei bem se isto é um mito, assim, prefiro tratar este assunto como uma tendência de comportamento competitivo entre as mulheres envolvendo questões emocionais como o ciúme.

A insegurança; o medo da perda do afeto filial ou marital; quem é a melhor; quem é a mais querida; o ser ou não substituível, etc. Porém, embora esta história seja bem antiga e comum, não podemos considerá-la como regra geral. Hoje muitas noras e sogras se dão muito bem, principalmente porque com a evolução da mulher na sociedade atingindo todas as áreas não somente as profissionais, mas também as internas como auto-imagem positiva e auto-estima positiva, “a mãe” não vive mais exclusivamente para o filho nem a “esposa” para seu marido e com isto, a mulher pensa mais em si mesma é mais madura e tem uma maior condição para lidar com estas situações de competitividade, bem como uma visão mais ampliada sobre o casamento de filhos, sobre o acolhimento entre noras e sogras e sobre a necessidade da fluência dos ciclos da vida. Penso que não é somente as sogras que necessitam de amadurecimento emocional e crescimento em todos os sentidos, mas também as noras, pois estas ainda são mais jovens e necessitam aprender sobre a paciência da construção daquilo que querem para si.

 

2 – O fato de as mães acharem que os filhos ainda são “bebês” e das noras não saberem cuidar deles pode influenciar?

R- Sim, com certeza, pois as crenças e os valores determinam nossa maneira de pensar e consequentemente de agir. É uma tendência materna ver os filhos como se ainda fossem crianças pequenas e necessitados dos cuidados “maternos” onde com certeza as noras entram como vilãs que além de roubarem os filhos ainda são incompetentes para cuidarem deles e do casamento como um todo. É necessário que as mulheres que são mães de homens prestes a se casarem mudem esta visão tão limitada, causadora de tantos aborrecimentos para ambas as partes, ou seja, para noras e para sogras. Novamente chamo para a atenção a necessidade do auto-trabalho através do auto-conhecimento, pois é necessário mudar os padrões e valores de referências, pois quando há sogras e noras maduras, conscientes e abertas há a possibilidade de uma relação harmoniosa onde há “troca” de experiências, “troca” de idéias e somatória de sabedorias e acima de tudo o respeito mútuo.

3 – Por que é mais fácil o genro se dar bem com a sogra?

R- Existe uma crença que quando o homem se casa a mãe perde um filho já, quando a mulher se casa, a crença é que a mãe ganha um filho, ou seja, o genro acaba sendo reconhecido e aceito como mais um filho. Claro que sempre há as dificuldades, tanto para as sogras quanto para os genros, porém, de uma forma geral, os homens são mais focados em seus interesses, principalmente os profissionais e financeiros e competem menos com as sogras nas questões domésticas e emocionais. Eles são menos ciumentos, são mais superficiais nessa relação e com certeza são vistos pelas sogras como filhos, pois elas cuidam deles com a visão de que eles são homens e por serem homens precisam ser cuidados. Penso também, que isto é uma tendência cultural que tem se apresentado ao longo dos tempos como um comportamento feminino, no sentido de proteção aos homens porque eles não sabem fazer as coisas e desproteção às mulheres porque elas necessitam saber fazer. Por outro lado também há a questão de que as noras são mais magoáveis do que os genros se as sogras tomarem a frente das decisões domésticas, principalmente por esta área não ser do interesse masculino. Penso que ainda hoje os homens se sentem aliviados quando suas sogras os ajudam em relação às casas e aos filhos enquanto que para as mulheres é admitirem que não são auto-suficientes como mães, donas de casas, como esposas, como mulheres etc. Hoje muito disto também tem mudado com a necessidade das mulheres trabalharem ativamente para o sustento financeiro da família e cumprirem a tal jornada dupla, tripla de trabalho.

4- Pode existir um ciúme por parte da nora em relação à mãe do marido?

R- Sim, com certeza o ciúme é uma das causas dos desencontros na relação nora e sogra, onde o epicentro é o marido para o qual ela (a esposa) necessita provar que é sábia, que é madura para ser a esposa, a mãe, a dona da casa e senhora da relação. Nisto entra o ciúmes que é filho da competição, pois além dela provar para o marido que é tão capaz quanto a mãe dele em fazer as coisas ela também o vigia para saber se ele acha que a mãe faz melhor do que ela. Há também o ciúme no sentido de controlar o tempo em que ele passa com a mãe, fala com ela, telefona para ela, com qual regularidade ele a vê; o quanto ele ainda dá de importância para a mãe e o quanto ele dá de importância para ela que é sua esposa. Porém volto a dizer que todas estas questões são provenientes de dificuldades internas e de uma grande imaturidade no saber lidar com as diferenças nesta relação. Existem situações onde a nora é mais consciente e consegue se relacionar de forma mais tranqüila, construindo a relação no passo a passo. As vezes esta maturidade é proveniente por parte da sogra, que também busca relacionar-se de forma harmônica e construtiva. Seja nora, ou seja, sogra, bem como genro é necessário que se busque sempre a compreensão das dificuldades mútuas e que haja a construção da relação, pois afinal a mãe sempre será a mãe e a esposa sempre será a esposa; o filho sempre será filho; o marido sempre será o marido; cabendo a todos os envolvidos serem conscientes do verdadeiro papel de cada um neste tão importante elo familiar.

E-mail: Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.