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Estar só ou mal acompanhada?

Qual mulher nunca ouviu esta frase tão conhecida: “antes só do que mal acompanhada”?  Penso que a maioria não somente já ouviu como também, já pensou desta forma; porém, esta questão é muito profunda, pois envolve várias situações muito íntimas de cada ser mulher. Assim, é necessário que cada caso seja observado com muito carinho e atenção, pois não podemos generalizar as situações, até mesmo porque o que é bom para um, pode não ser bom para outro.

 

Penso que uma mulher que está mal acompanhada, ou seja, uma mulher que não se encontra com um companheiro de verdade, que é mal amada, mal tratada, não somente no físico, mas também, emocional e psiquicamente, às vezes sob pressão psicológica, dentre outros, já se encontra sozinha necessitando apenas tomar a ciência disto vendo a situação com clareza para tomar consciência da condição que se encontra. Existe ainda a situação da mulher encontrar um homem, estabelecer um relacionamento para melhor conhecê-lo e não conseguir mais se separar dele, mesmo sabendo que ele não é a pessoa adequada para ela. Isto é bem comum e ocorre com frequência, não somente pela carência afetiva e sexual da mulher, mas, também, pelo medo da solidão.

Em minhas experiências como terapeuta comportamental na linha da consciência pude acompanhar vários casos de mulheres que permaneceram em relacionamentos horríveis, que as conduziram para uma desestabilidade física, psíquica, emocional e familiar. Algumas eram mulheres casadas e preferiram separar de seus maridos e até se afastarem de filhos por conta de se apaixonarem por homens que nunca foram verdadeiros com elas, tornando-se mulheres “viúvas de maridos vivos”, ou seja, mulheres que acabaram vivendo na solidão sustentando a idéia ilusória de que tinham companheiros.

É comum, também, a situação das mulheres que choram e se desequilibram por não arrumarem namorados, maridos ou até pequenos encontros de vez em quando e acabam reduzindo o universo a esta situação. Para estas mulheres seus problemas seriam solucionados se arrumassem um companheiro; já para outras o problema é justamente ter um companheiro e se houvesse a separação, esta seria a solução. Por isto volto a dizer o que é bom para um pode não ser para outro e que nem sempre “ter” alguém significa não estar só.

As mulheres têm a tendência de ficarem em relacionamentos duvidosos justamente pela questão de dizer para si mesmas e para “o outro”  que “tem” alguém, que não está só, que está tentando um relacionamento para dar certo, pois seu sonho é casar ou morar junto e até constituir uma família dependendo da idade. É preciso muito cuidado com o valor que se dá para a auto-imagem, e o quanto para a mulher isto está relacionado ao estar acompanhada por um homem. Neste caso, para manter a imagem de uma mulher que é disputada, querida e desejada pelos homens ela acaba caindo em sua própria armadilha aceitando ficar mal acompanhada.

Muitos casais acabam também caindo nesta armadilha da aparência e permanecem em relacionamentos que já terminaram, sustentando uma falsa relação pagando um preço muito alto por isto. Às vezes isto é decisão só da mulher, as vezes é do homem como também, pode ser do casal. Muitas vezes isto também ocorre com casais que já viveram muitos anos juntos, os filhos já casaram e ainda se encontram juntos mais por uma questão de costume e medo da solidão, embora não vivam num relacionamento que os preencham.

Seja qual for a situação, somente cada ser mulher é que pode decidir se é melhor estar só ou mal acompanhada, cabendo àqueles que são os mais próximos acolherem a decisão e auxiliarem naquilo que for possível.

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